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quinta-feira, 6 de maio de 2010

PRÉMIO NACIONAL DE ILUSTRAÇÃO

Bernardo Carvalho venceu o Prémio Nacional de Ilustração 2009 pelas ilustrações do livro Depressa, Devagar. As duas menções especiais do júri foram para Marta Madureira, Livro dos medos e Madalena Matoso, Andar por aí.


Prémio Nacional de Ilustração: Bernardo Carvalho, Depressa, devagar.
o Júri destacou “…a integração gráfica e organicidade do livro que, num estilo aparentemente simples, cria um ritmo muito dinâmico, cinematográfico até, com composições de grande efeito e vários níveis de leitura.” (in Acta PNI 14ªed.) O Júri sublinhou a exemplar originalidade através do desdobramento da personagem em duas figuras que jogam com o sentido das palavras depressa e devagar, bem como o uso feliz e eficaz da paleta cromática.


Menção especial: Marta Madureira, Livro dos medos.
O Júri realçou “…a grande intensidade plástica, a ludicidade da ilustração e o vocabulário gráfico rico, surpreendente e original.” Chamou ainda a atenção para a relação muito produtiva que a imagem estabelece com a palavra.
 Menção especial: Madalena Matoso, Andar por aí.
O Júri destacou “…o modo como a narrativa vai sendo construída com um movimento original que aproveita de forma lúdica o próximo e o longínquo, no fundo despertando para diferentes modos de ver”. Referiu ainda o registo poético do conjunto, que integra de forma magnífica o texto e a imagem. (Ler mais)

domingo, 11 de abril de 2010

ILUSTRARTE 2009 - Até 18 de Abril

De uma enorme riqueza. pela sua diversidade e beleza, a ILUSTRARTE viu o alargado o prazo de abertura ao público.

Ainda bem porque assim ainda consegui deleitar-me com mais uma exposição fantástica, que ganhou com o enquadramento do Museu da Electricidade (apesar de ter alguma pena que tenha deixado o Barreiro...).

Obrigada à Rita pelo pretexto. Soube mesmo bem!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Prémio Hans Christian Andersen 2010

Foram anunciados ontem, na Feira do Livro Infantil de Bolonha, os vencedores da edição de 2010.

Um Cantinho no ParaísoO Meu Pai é Um Homem-PássaroO Grande Jogo


O escritor David Almond é um escritor britânico de literatura infanto-juvenil que se dirige, essencialmente, a um público juvenil  querido do público e muito conceituado em todo o mundo. Recebeu inúmeros prémios de prestígio, entre os quais The Carnegie Medal, o Whitbread Children’s Book Award ou o Smarties Book Award. 

Destes só li "O Segredo do Senhor Ninguém", história muito bonita, com o seu quê de mística e fantasia...

Já da ilustradora  Jutta Bauer, sou fã incondicional. Tenho-os todos...


Esta autora/ilustradora distingue-se pelo facto dos seus livros não terem um público com uma faixa etária específica. Aliás, afirma ela: "As histórias são como jarros. Elas oferecem uma forma mas todos os leitores - não importa se novos ou velhos - os enchem com as suas próprias experiências e histórias pessoais."

sábado, 27 de fevereiro de 2010

PREMIADOS DA FEIRA DE BOLONHA


Quando for grande, hei-de lá ir...

Fiction

Section dedicated to works of fantasy, books of tales/short stories or illustrated fairy tales




Non Fiction


Section dedicated to informational publications regarding every area of knowledge useful to learning such as science, history, art, music, biography, and recent events/subjects





New Horizons


A special recognition reserved to the publishing industry in the Arab countries, Latin America, Asia and Africa - all offering ideas and food for thought of great innovation




Opera Prima


A new permanent section dedicated to artists' first works


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

ILUSTRARTE 2009 - VENCEDOR

A ilustradora belga Isabelle Vandenabeele venceu a quarta edição da Ilustrarte - Bienal de Ilustração para a Infância com xilogravuras a partir de uma obra do pintor Edgard Tytgat, anunciou hoje a organização. (Não é o da imagem que escolhi, mas este é o único que tenho ilustrado por ela...)

As três gravuras que Isabelle Vandenabeele apresentou à bienal foram consideradas pelo júri o melhor trabalho a concurso, entre as mais de 1.300 candidaturas à edição deste ano da Ilustrarte.A autora verá o seu trabalho exposto na Ilustrarte em Fevereiro de 2010 no Museu da Electricidade, em Lisboa,

Isabelle Vandenabeele, que já tinha participado na Ilustrarte de 2003 e recebido uma menção honrosa na edição de 2005, concorreu com xilogravuras publicadas no livro "Prólogo de um amor partido", inédito em Portugal, numa interpretação de uma pintura do autor belga Edgard Tytgat. O trabalho da autora belga, de 37 anos, assenta sobretudo em ilustrações impressas a partir de gravuras minuciosamente esculpidas em madeira.

Nesta quarta edição, foram ainda atribuídas menções honrosas ao ilustrador espanhol Isidro Ferrer, que tem publicado na Kalandraka e expôs em Outubro em Cascais no Encontro sobre o Livro e o Imaginário Infantil, a dupla italiana Alessandro Lecis e Alessandra Panzeri e o francês Martin Jarrie.

O júri que escolheu os finalistas e a obra vencedora integrou o ilustrador alemão Wolf Erlbruch, a editora francesa Brigitte Morel, a ilustradora alemã Susanne Janssen (vencedora da Ilustrarte 2007), João Branco e Luís Sanches, estilistas da dupla Storytailors, e o designer Jorge Silva. Hoje no anúncio do prémio, o júri afirmou que foi muito difícil fazer a selecção e deixar ilustradores de fora.

"No final conseguimos reunir um catálogo diversificado e que inclui algumas surpresas", disse Wolf Erlbruch. "A votação foi muito renhida e não foi fácil chegar ao nome final, mas a escolha é uma soma das visões dos diferentes membros do júri", disse um dos mentores da Ilustrarte, Eduardo Filipe.

A organização da Ilustrarte, a cargo dos comissários Eduardo Filipe e Ju Godinho, acolheu mais de 1.300 candidaturas de 59 países, tendo sido seleccionados 50 finalistas. Itália continua a ser o país que regista mais participações - acima de 200 -, seguindo-se França, Espanha e Irão, com cerca de 130 ilustradores. De Portugal foram aceites 160 candidaturas, tendo sido seleccionados os trabalhos de autores premiados na ilustração, como Gémeo Luís, André Letria, Teresa Lima, Daniel Lima, João Vaz de Carvalho e Ana Sofia Gonçalves.

Feita a selecção e escolhido o vencedor, a Ilustrarte prossegue em Fevereiro com a exposição das ilustrações dos 50 finalistas, no Museu da Electricidade, em Lisboa. Esta será a primeira edição da Ilustrarte em Lisboa, depois de se ter realizado nas três edições anteriores no Barreiro. (Fonte: DN)

Aguardamos...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

FUMO

Há muito que tinha esperança numa edição em português, pois já o tinha namorado em castelhano. Felizmente existe a OQO. Hoje não resisti e é a minha última aquisição...
Absolutamente tocante...

“Sonho com um dragão verde de língua negra que me quer comer. As casas também são verdes, como a erva do nosso jardim que tem o baloiço, onde antes eu e o pai jogávamos à bola. Tenho muitas saudades dele. A mãe diz-me que em breve estaremos todos juntos.”

Tanto como os campos de concentração — com o que implicam de fome, frio, doença, violência e morte — interessa aqui um desses mundos pessoais e familiares que o nazismo destruiu, e que é das poucas coisas que tem cor frente ao cinzento cortante e ao silêncio.
Separação, solidão e saudade estão omnipresentes; a lembrança ajuda a fugir do isolamento e do desterro, e dá lugar — no inóspito do campo (lager) — ao amor, à amizade e à solidariedade: à humanidade, ao fim e ao cabo.
Se toda a violência está injustificada, a que põe fim à inocência ainda mais; contra ela, no processo de amadurecimento do protagonista, assistimos a um compromisso até à fusão com Vadío (única personagem com nome e etnia), que representa o reconhecimento no outro na catarse final.
O protagonista anónimo de Fumo descobre a realidade, mas filtra-a com a memória de um passado melhor. O despertar magoa-o e leva-o a uma aprendizagem rápida: a dureza e dificuldade da situação, e o instinto de sobrevivência obrigam-no a ser um menino responsável.
A inocência, mais que a impotência, marca o desenlace. Os inocentes não sobrevivem, dizia o Primo Levi; é o preço por ver a luz: a mão de Vadío apagando para sempre o medo e escrevendo com fumo uma palavra mágica sobre o céu da Polónia.
Uma comovente história de Antón Fortes com intensas imagens da polaca Joanna Concejo, de grande sensibilidade e beleza, apesar de reflectir a realidade do protagonista, que se torna mais dura ao enfrentá-la recorrentemente com lembranças da vida de onde foi ou foram todos arrancados.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Professora bibliotecária portuguesa premiada por Associação Internacional


A International Association of School Librarianship – principal associação internacional, no âmbito das bibliotecas escolares - distingue, este ano, uma portuguesa, Maria José Vitorino, com o prémio IASL SCHOOL LIBRARIANSHIP 2009.

A International Association of School Librarianship - principal associação internacional, no âmbito das bibliotecas escolares - distingue, este ano, uma portuguesa, Maria José Vitorino, com o prémio IASL SCHOOL LIBRARIANSHIP 2009.

Professora e bibliotecária, trabalha com o Programa RBE desde o seu lançamento, em 1996, para o qual tem contribuído com a sua experiência e disponibilidade, de forma inovadora e persistente. O trabalho que vem desenvolvendo em favor das bibliotecas escolares, de mérito reconhecido, por todos os que a estas estão ligados é, assim, também, alvo de uma justa valorização internacional, que muito congratula a Rede de Bibliotecas Escolares.

Parabéns, MJV, pela merecida distinção!

domingo, 5 de julho de 2009

A CHARADA DA BICHARADA



Mais um vídeo livro "pescado" no Letra Pequena... Texto de Alice Vieira ilustrado por Madalena Matoso que, com ele, venceu o Prémio Nacional de Ilustração.

Esta publicação, um álbum poético, género escassamente editado em Portugal, evidencia-se pela articulação expressiva das componentes pictórica e verbal. A criatividade e a inovação das ilustrações materializam-se no recurso a uma paleta cromática forte, rica e livre, que sustenta uma arquitectura visual esquemática e segura. As imagens potenciam a proposta lúdica dos poemas, que funcionam como advinhas e/ou charadas. O discurso icónico, pautado pela subtileza e pelo enigma, convoca um olhar insistente, curioso e inquiridor.(Fonte: DGLB)

Madalena Matoso (Lisboa, 1974)

Tem o curso de Design de Comunicação da Faculdade de Belas Artes – Universidade de Lisboa. Em 1999 fundou a empresa Planeta Tangerina, Design e Comunicação, Lda., onde trabalha na área da ilustração e do design gráfico. Ilustrou vários livros da colecção “As Histórias da Bruxa Cornélia”, da Editora Temas e Debates, da colecção “Fábulas” do Jornal Expresso, da colecção “Mundo de Histórias” da Editora Oficina do Livro, entre outros trabalhos.
Menções especiais no Prémio Nacional de Ilustração – 2006 e 2007, com as ilustrações das obras Uma Mesa É Uma Mesa. Será?, e Quando eu nasci, ambas editadas pelo Planeta Tangerina.
O livro O meu vizinho é um cão recebeu o Prémio Melhor Ilustração de Livro Infantil no Festival da Amadora 2008

terça-feira, 26 de maio de 2009

HISTORIA DE UN LETRERO



Este filme é uma curta metragem que este ano foi premiado no Festival de Cannes!
Mostra a força que tem a escrita: como
dizer a mesma coisa com palavras diferentes!
Foi-me enviado por um poeta...
Obrigada, Jorge!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

BLiBiE - Blogue de Livros/Leitura, de Bibliotecas ou de Educação


Iniciou-se a Votação Popular para os BLiBiE (um BLiBiE é um Blogue de Livros/Leitura, de Bibliotecas ou de Educação) pretendem divulgar e incentivar a utilização da importante ferramenta que é um blogue na área da Promoção da Leitura e na Educação.

Votação aqui! Termina a 14 de Junho.

Os Prémios BLiBiE (um BLiBiE é um Blogue de Livros/Leitura, de Bibliotecas ou de Educação) pretendem divulgar e incentivar a utilização da importante ferramenta que é um blogue na área da Promoção da Leitura e na Educação.

Pretendemos que estes prémios sejam uma marca de respeito, reconhecimento e homenagem ao trabalho que os autores tiveram durante o ano de 2007/08, que as suas contribuições e esforços sejam ainda mais reconhecidas pela comunidade.

Ou seja, o processo de atribuição de prémios pretende ajudar a aumentar a importância dos blogues no campo da leitura e da educação e ajudar a tornar esse excelente trabalho conhecido pela população em geral, bem como servir de mote de inspiração para o que é possível fazer com o poder da Blogosfera.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

PRÉMIO NACIONAL DE ILUSTRAÇÃO 2008

Prémio Nacional de Ilustração 2008: resultados


Madalena Matoso com o livro A Charada da Bicharada, Texto Editores.

Menções Especiais:
Bernardo Carvalho oo oPaulo Galindro

Pelos livros És mesmo tu?, Planeta Tangerina e O Cuquedo, Livros Horizonte, respectivamente.

Das 147 candidaturas analisadas, foram distinguidas ainda as seguintes 8 obras e respectivos ilustradores, abaixo indicados por ordem alfabética:

Afonso Cruz, Histórias de Reis e Princesas, Asa.
Bernardo Carvalho, Um Dia na Praia, Planeta Tangerina.
Danuta Wojciechowska, O que se vê no ABC, Caminho.
Inês Oliveira, Milagre de Natal, Civilização.
Luís Henriques, Sabes, Maria, o Pai Natal não existe, Caminho.
Madalena Matoso, Trava-Línguas, Palneta Tangerina.
Rachel Caiano, A Casa de Férias, Histórias do Senhor Valéry, Caminho.
Teresa Lima, Lá de cima cá de baixo, Gailivro.

Obrigada, Dora, pela notícias sempre fresquinhas!

(FONTE: La Double Vie de Veronique)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

CONCURSO NACIONAL DE LEITURA - Distrito de Setúbal



Terminou hoje um dos maiores desafios que esta vida de andorinha RBE me proporcionou. Foi com empenho e entusiasmo que abracei, com a fantástica companhia da Cristina Paiva
(Andante), o convite da Biblioteca Municipal de Alcochete para integrar o júri da fase distrital deste Concurso.

Tentámos (e agora, no final do processo, penso que conseguimos) que o objectivo último desta iniciativa - PROMOVER O PRAZER DE LER ENTRE OS JOVENS - não ficasse esquecido, nem através das escolhas das obras a concurso, nem através de provas que apenas fizessem o policiamento da leitura, relegando para segundo plano o desfrutar de boas obras literárias.


Imagem - O melhor amigo de homem de Javier Jaén (Fonte: Bruaá)


Alunos apurados para a 3ª Fase do Concurso Nacional de Leitura


3º Ciclo do Ensino Básico


1º Classificado – Candidato Nº 11

Nome: Ana de Almeida Alves

Escola: Escola Secundária Lima de Freitas

2º Classificado – Candidato Nº 23

Nome: Inês Isabel Capito Rocha

Escola: EB 2,3 El-Rei D. Manuel I

1º Suplente – Candidato Nº 25

Nome: Rodrigo José Bravo Simões

Escola: EB 2,3 Costa da Caparica

2º Suplente – Candidato Nº 24

Nome: Marisa Isabel Almeida Prata

Escola: EB 2,3 El-Rei D. Manuel I

Ensino Secundário

1º Classificado – Candidato Nº 8

Nome: Rúben Emanuel dos Ramos Gomes

Escola: Escola Secundária Lima de Freitas

2º Classificado – Candidato Nº 18

Nome: Robin Christian de Oliveira Cambier

Escola: Escola Secundária de Sampaio

1º Suplente – Candidato Nº 15

Nome: Catarina Monteiro de Vasconcelos Forra

Escola: Escola Secundária de Sampaio

2º Suplente – Candidato Nº 16

Nome: Micaela Alexandra Serra Marcos

Escola: Escola Secundária Manuel Cargaleiro

Deparámo-nos com óptimas provas (outras nem tanto, o que nos fez questionar a razão de ser de terem chegado a uma final distrital...), que demonstram que temos
(ainda) jovens que lêem, que lêem bem e que são capazes de utilizar referências do seu percurso leitor quando a isso são chamados.

ESTÃO TODOS DE PARABÉNS, assim como as ESCOLAS/PROFESSORES que os apoiaram e incentivaram. Estarei a torcer por vós na Grande Final!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

FEIRA DE BOLONHA - FESTA DO LIVRO INFANTIL


Em dia de Óscares em Hollywwod, revelamos por aqui os premiados na Feira de Bolonha 2009!

E o prémio vai para...

Na Categoria de Ficção:


ROBINSON CRUSOE
Texto e Ilustrações de Ajubel

MEDIA VACA – Valencia, Espanha













Na Categoria de Não - Ficção:


LE LIVRE DES TERRES IMAGINÉES
Texto e Ilustrações de Guillaume Duprat

SEUIL JEUNESSE – Paris, França

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

PRÉMIOS DE EDIÇÃO


Vai iniciar a fase de votação dos Prémios de Edição LER / Booktailors.

Aqui está instalada a plataforma permitindo a todos os leitores também darem a sua opinião e influenciarem a votação final.

A votação final é alcançado através de uma média ponderada, sendo que o total da votação dos Júri vale 40%, o total da votação do Conselho vale 40%, e o total da votação do público vale 20%.


Em destaque, em várias categorias, alguns títulos da Planeta Tangerina

- O Mundo Num Segundo, Bernardo Carvalho, Isabel Minhós Martins;

- Coração de mãe, Bernardo Carvalho, Isabel Minhós Martins;

- A Grande Invasão, Bernardo Carvalho, Isabel Minhós Martins;

E ainda:

- A Colecção, Margarida Botelho, Edição de Autor.

Não deixe de participar!!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

NEIL GAIMAN

Porque agora o tempo não dá mesmo para mais... limito-me a divulgar, sem comentários, esta notícia que recebi da Rita Pimenta e que muito me alegrou pois sou fã incondicional de Neil Gaiman (apesar de ainda não ter explorado bem a obra "para adultos"). Estes, que tenho e aconselho, parecem para crianças mas...

Com a obra
The Graveyard Book, o britânico Neil Gaiman venceu o importante prémio de livros para a infância American Library Association's Newbery Medal. A ideia de um tema aparentemente tão tétrico e fantasmagórico ocorreu-lhe (há mais de 20 anos) num dia em que o filho andava de triciclo no adro de uma igreja, entre lápides centenárias. “Ele parecia estar em casa”, disse o autor ao Washington Post e sugere que o livro seja lido por crianças a partir dos nove anos. (Fonte: Letra Pequena)

É costume proclamar a versatilidade de Neil Gaiman, na medida em que a sua obra é transversal a vários géneros, do romance à banda desenhada, do argumento aos livros infantis. Mas como acontece com todos os autores que têm coisas para dizer, existe um fio condutor que atravessa todas essas experiências narrativas, quer em termos meramente formais - há um desejo claro de subverter os mecanismos tradicionais do storytelling e pesquisar as suas múltiplas potencialidades, como acontece no romance American Gods ou na série de BD Sandman -, quer em termos de conteúdo, onde existe um fascínio claro pela fantasia e pelo terror. E estas são áreas de que Gaiman nunca abdica, mesmo quando escreve um livro para crianças como é o caso de Os Lobos nas Paredes, que entra directamente para a galeria de obras-primas da literatura infantil. Os papás sensíveis devem, contudo, manter-se afastados deste perigoso objecto, porque Gaiman não pertence à casta dos autores açucarados que têm todo o cuidado para não assustar as criancinhas. Os Lobos nas Paredes mete medo, e ostenta-o orgulhosamente, tanto mais que nasceu de um pesadelo da filha mais nova do autor, que confessou ao pai que escutava as garras dos lobos a arranharem dentro das paredes. Gaiman, além de plagiar o pesadelo da filha, em vez de lhe dizer «não, não existem lobos dentro das paredes», aproveitou para contar uma série de histórias em que os lobos realmente saíam de trás do estuque e tomavam conta da casa, embora os humanos conseguissem fugir e, mais tarde, enfrentá-los. Foi da depuração dessas pequenas histórias nocturnas que este livro nasceu.

Como em Coraline, são evidentes as influências de Alice no País das Maravilhas - embora carregando nas tais atmosferas sombrias, quase góticas -, não só na criação de uma realidade paralela, escondida «atrás de», mas também na utilização do puro nonsense, no pequeno aparte surreal, numa proliferação de pequenos detalhes muito bem humorados que fazem boa parte do encanto do livro, como é o caso do fascínio pelos frascos de compota, do pai a tocar tuba ou dos lobos vestidos com a roupa da família. Mas Gaiman não se limita a produzir grandes ideias ele é também um excelente escritor, que depura o texto de quaisquer excessos, até atingir a formulação mais perfeita. Isso é particularmente evidente na agilidade dos diálogos, sempre curtos, incisivos, exactos.




E depois... bem, e depois existe um senhor chamado Dave McKean a ilustrar o livro. McKean já fizera um trabalho extraordinário em O Dia em que Troquei o Meu Pai por Dois Peixinhos Vermelhos (também editado entre nós pela Vitamina BD), mas aqui vai ainda mais longe, numa claríssima demonstração das razões que o levam a ser considerado um dos melhores ilustradores do mundo. É sempre motivo do maior espanto a forma como ele consegue conjugar numa mesma imagem os mais diversos materiais, pulando do desenho para a fotografia, do lápis para o computador com a maior das facilidades e sem nunca perder o estilo ou a coerência. Se McKean não tivesse sido bafejado com um talento absurdo, este cruzamento de tantas e tão divergentes técnicas seria um salto no abismo. Aqui, é mais um espantoso tour de force, que casa na perfeição com o universo narrativo de Gaiman. Está dito não ler Os Lobos nas Paredes é um pecado mortal. (Fonte: João Miguel Tavares)