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terça-feira, 6 de setembro de 2011

REGRESSO À ESCOLA...


Hoje na receção aos professores, recebemos da direção, o poema de Alexandre O'Neill,

Amigo
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

 in 'No Reino da Dinamarca'

sábado, 23 de julho de 2011

TO LOVE CHILDISH THINGS

Only to read childrens’ books,
only to love childish things,
throwing away adult things,
rising from saddest looks.

I am wearied to death with life.
There’s nothing it has that I want,
but I celebrate my naked earth,
there’s no other world to descant.

A plain swing of wood;
the dark, of the high fir-tree,
in the far-off garden, swinging;
remembered by feverish blood.

1908
Osip Mandelstam

Trazido no bico daqui

quinta-feira, 18 de março de 2010

CÂMARA CLARA COM CRISTINA PAIVA

Imperdível!

Na noite do Dia Mundial da Poesia (próximo domingo),o programa da RTP2, Câmara Clara,  traz dois portugueses: José Carlos de Vasconcelos e CRISTINA PAIVA (actriz amiga por quem nutro a maior admiração pela escolha de um caminho difícil - que ela percorre como ninguém - em  abono da Leitura, da Poesia, e não só) que calcorrearam o país levando consigo as vozes dos maiores poetas. Do Portugal anterior aos anos 70 às prisões do século XXI, a poesia teve e continua a ter, sempre, um efeito... surpreendente. 

domingo, 3 de janeiro de 2010

?FELICIDADE?...


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não me esqueço, de a que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar 
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da 
 vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
 Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
(Fernando Pessoa) 
 
 
 Obrigada, Mª José A.. Estava mesmo a precisar de uma poesia como esta...
 
 
 
Como propósito para 2010, fica este Mind Map cheio de caminhos possíveis...

Na minha pesquisa sobre estas poderosas ferramentas (e apaixonantes!), descobri mais este sítio...

terça-feira, 26 de maio de 2009

HISTORIA DE UN LETRERO



Este filme é uma curta metragem que este ano foi premiado no Festival de Cannes!
Mostra a força que tem a escrita: como
dizer a mesma coisa com palavras diferentes!
Foi-me enviado por um poeta...
Obrigada, Jorge!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

WORDLE - OUTRAS LEITURAS...


O Wordle é uma ferramenta magnífica que permite criar uma nuvem de palavras a partir de um determinado texto. Na nuvem aparecem em maior proeminência as palavras que ocorrem com maior frequência no texto. Pode-se escolher diferentes tipos de letra, de disposição das palavras e esquemas de cores. Pode aceder aqui: http://www.wordle.net

Obrigada, Carlos Pinheiro.




Eis aqui uma nuvem de palavras, das muitas possíveis, a partir do poema Aula de Leitura de Ricardo Azevedo:

A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:
vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;
e no jeito da pessoa,
se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;
também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.
( Dezanove poemas desengonçados.São Paulo,Ática,1999)

terça-feira, 24 de março de 2009

TERESA MARTINHO MARQUES

Foi tão bom reencontrar a Teresa (uma verdadeira força da Natureza...) numa Biblioteca Escolar fantástica, que me fez voar a outras paragens que não as habituais... Uma tarde bem passada entre meninos, poesia e professores de alma GRANDE...
Para conhecer melhor a Teresa escritora, professora, investigadora, tudo isto de CORAÇÃO INTEIRO...

Poema Porque
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sexta-feira, 13 de março de 2009

LIBERDADE...



Terminar a parte curricular do MGIBE traduziu-se, de repente, num sentimento de liberdade que não sentia há muito... Ufa! Esta já está!!

"Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.

O sol doira

Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,

Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...

Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,

Que não sabia nada de finanças

Nem consta que tivesse biblioteca..."
Fernando Pessoa

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

CARTÕES DE NATAL...


Recebi muitos e a todos agradeço...
Partilho os que mais gostei...




quinta-feira, 27 de novembro de 2008

LIDERANÇA...

Quando tanto discutimos as questões relacionadas com a liderança, uma de entre tantas competências do (futuro?) professor-bibliotecário, não posso deixar de partilhar este extraordinário poema, pescado no blogue da editora Bruaá...



Eu quero ser o líder.

Eu quero ser o líder.

Posso ser o líder?

Posso? Posso?

Prometes? Prometes?

Boa! Sou o líder!

Sou o líder.

E agora? O que fazemos?



Roger Mcgough

(Trad. Miguel Gouveia)



Management is doing things right; leadership is doing the right things.
Peter F. Drucker

sábado, 19 de julho de 2008

HÁ 17 ANOS, FOI... UM DIA DESSES


Um dia desses


de tanto me perder, de andar sem sono

por essa noite sem nenhum destino

por essa noite escura em que abandono

uns sonhos do meu tempo de menino

de tanto não poder mais ter saudade

de tudo o que já tive e já perdi
dona menina, eu me resolvo agora

a ir-me embora pra bem longe daqui.


um dia desses eu me caso com você

você vai ver ai, ai, você vai ver

um dia desses, de manhã, com padre e pompa

você vai ver como eu me caso com você


meu pobre coração não vale nada

anda perdido, não tem solução

mas se você quiser ser minha namorada

vamos tentar
não custa nada

até pode dar certo

ai ai

e se não der eu pego um avião, vou pra xangai

e nunca mais eu volto pra te ver.


Adriana Calcanhoto (ouvir aqui)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

DO AVESSO

DUPLA DESCOBERTA
Autor e ilustrador

Um caderno que morde o aluno, uma abelha que faz maionese, um peixe que nada em um aquário de refrigerante, uma torrada que vem com alça para entretanto não sujarmos os dedos, um tigre que tosse, uma árvore em que brotam bolinhas de ténis no lugar de frutas — esses são alguns dos personagens dos dezanove poemas do livro de Ricardo da Cunha Lima.
Melhor que os poemas, que certamente deliciarão os mais novos, com as devidas reservas para o português do Brasil, é a conversa final com o leitor.
Durante 18 páginas, Ricardo da Cunha Lima conta aos seus leitores os "segredos dos bastidores da poesia", desde a escolha do título do livro ou dos poemas, aos tipos de rima e outras formas poéticas. Brilhante!!


Depois as ilustrações, umas vezes mais gráficas, outras mais pictóricas, fizeram-me conhecer um ilustrador que é simultaneamente escritor, músico e performer. Pode ser visitado, clicando na imagem ao lado e, aí, não deixe de ir até à outra proposta do autor:


De A a Zigg


segunda-feira, 24 de setembro de 2007

ANIVERSÁRIOS

DO GIGANTE ÁLVARO DE MAGALHÃES, uma prenda para mim...

1
As abelhas não fazem anos.
Nenhuma viveu um ano
para o poder fazer.

(…)


2

Micróbios, como as amibas,

vivem menos de um segundo

e nesse segundo também

cabe uma vida inteira,

cheia de tudo o que uma vida tem.

(...)

3
As tartarugas fazem muitos anos,
mas devagarinho.
Sei de uma que faz anos hoje
e ainda vem a caminho.

(...)

4
Os mortos desfazem anos.
No dia do seu aniversário
faz anos que não fazem anos.

(...)

5
Os anões são tão pequeninos

Que não fazem anos.
Fazem aninhos.
Os gigantes são tão grandalhões
Que não fazem anos.
Fazem anões.

(…)

6
Um segundo é uma hora
e uma hora é um segundo
no relógio alucinado da paixão.

(...)

7
Os anos que fazemos
também nos fazem a nós.
Os anos que fizemos nos fizeram.
Os anos que faremos nos farão.
É de anos que somos feitos,
de breve e misterioso tempo.
Em nós estão os anos que já fomos.
Esses anos, que fizemos, somos nós,
do cimo da cabeça até às pontas dos pés.
Quanto tempo somos?
Quantos anos és?

(...)

Edição comemorativa dos 25 anos de vida literária de Álvaro de Magalhães, ilustrada por José de Guimarães (São SÓ 1500 exemplares numerados e assinados pelo autor. IMPERDÍVEL!)