quinta-feira, 19 de junho de 2008

O BARQUINHO QUE CRESCEU

Este é um texto profundamente marcado pelo sonho e pelo desejo de liberdade feito de uma prosa muito metafórica, por vezes sinestésica e visivelmente simbólica, uma prosa da qual sobressaem, por exemplo, alguns jogos sonoros muito expressivos. Conta-se a história de um barco de papel que navega, feliz, desde o parapeito de uma janela até à imensidão do mar e tem como tripulantes «botões de camisa, uma mola da roupa, seis caroços de azeitona e um grão de bico». Do ponto de vista metafórico e/ou simbólico, o percurso encetado por este barquinho de papel que, «de repente, como quem esfrega os olhos para reabrir de seguida vendo um desejo aparecer» se transforma num barco autêntico representar o sonho individual e o sonho colectivo. Se a mão que levava o barquinho de papel «no doce saltar das ondas inventadas no parapeito da janela» testemunha o desejo pessoal de evasão onírica ou de concretização de um desejo, o momento em que o elemento central desta narrativa atinge o espaço marítimo poderá ser lido como a expressão de um traço histórico do povo português, mais concretamente da sua realização colectiva, através da aventura marítima empreendida na época das Descobertas.

Lindo, lindo mais uma vez o Alexandre Honrado! No entanto, para mim, a leitura da metáfora foi mesmo outra.
Hoje, foi a minha derradeira leitura na turma 4ºA, que comigo navegaram nos livros desde o 1º ano. Cada um deles é um barquinho de papel...Eu e a professora fomos a mão que o levou no doce saltar das ondas inventadas. A tripulação não foram os botões de camisa, os caroços de azeitona, ou o grão de bico, mas os livros que juntos lemos, os textos que todos construímos... Agora, agarrado com força, "não que ele fugisse, mas para que não caísse e dele se perdessem os passageiros", é o momento de o deixar ir, ribeiro abaixo...
Cada barquinho, "tonto e solto", "merecedor de água e de tanta beleza", navegará pelos seus próprios meios no mar verdadeiro.

Felicidades para a nova viagem, meus queridos!

1 comentário:

Entratenamente disse...

Obrigado pelo vosso carinho
Alexandre Honrado