
Porque são as bibliotecas públicas tão importantes? Porque, tal como as escolas, são espaços de inclusão.
Escrevo de Nova Orleães, no Sul da América do Norte. Foi aqui que vivi em 1990-1991 ao tempo da guerra do Golfo. Lembro-me da excitação que era ler o
Ao ler o
Daqui consigo entrar não só nos catálogos da Biblioteca de Nova Iorque como também dentro de muitas das suas obras. Mas as bibliotecas não deixaram por isso de ser reais: palácios à espera de quem entre neles para descobrir os seus tesouros. Hoje como ontem as bibliotecas são indispensáveis ao nosso enriquecimento. As melhores universidades americanas distinguem-se precisamente por terem as maiores e melhores bibliotecas. Tendo sobrevivido à fúria do Katrina, a Howard-Tilton Library (o nome é de dois dos seus maiores beneméritos) da Tulane University continua aqui, hoje como ontem, a fazer-me feliz.
Um outro bom indicador da passagem do tempo é o aumento do número de livros publicados. A Biblioteca de Nova Iorque quer, por isso, "soterrar" uma porção das suas enormíssimas colecções, em parte acessíveis sob forma digital, e abrir mais espaços ao público. Como biblioteca da cidade, quer servir melhor um número maior de cidadãos. Combinando o real e o virtual, quer ser um sítio agradável para toda a comunidade, a começar pelas crianças e jovens. Porque são as bibliotecas públicas tão importantes? Porque são tão louváveis? Porque, tal como as escolas, são espaços de inclusão. São sítios onde se cresce intelectual, académica e profissionalmente. Por exemplo, 60 por cento do público de um dos ramos da Biblioteca de Nova Iorque, no Bronx, são afro-americanos desfavorecidos. Declarou Schwarzman ao jornal: "A biblioteca ajuda pessoas de baixo e médio rendimento - emigrantes - a realizar o sonho americano." Uma lição para todos!
Carlos Fiolhais, Professor universitário [tcarlos@teor.fis.uc.pt] in Público (14/03/2008)











